

Ontem eu olhei para o céu e fiz o mesmo pedido. Você, você e você. Sempre foi você e sempre será. Ao apagar às velas do bolo de aniversário, ao ver uma estrela cadente, ao rezar antes de dormir ou do nada, quando o coração aperta. E isso é tudo que venho pedindo a muito tempo, é tudo que preciso, é o sonho que ainda vai se tornar real. Obrigada por não me permitir desistir nunca. (CartasProLuan).

Era só a mesma menina de sempre. Com as mesmas dores de sempre. E o mesmo sorriso idiota na cara.
“Uma vodka não faz mal a ninguém.” Ela dizia enquanto virava uma garrafa e tomava, sem perdoar uma gota sequer. Era uma espécie de frequentadora de boteco nos fins de semana. Bebia pra afugentar suas dores sabe? Era uma espécie de vício bom e ruim. Se via atordoada em problemas a semana toda, mas vivia sorrindo, como uma adolescente bobinha. Moça comportada, bem recatada. Não usava decotes, sequer usa saia acima do joelho. Não se permitia tais prazeres. Quando o fim de semana chegava, e seus problemas ameaçavam segui-la, bastava ela colocar seu vestido curto, e passar seu batom vermelho. Linda, deslumbrante, desfilava pela rua com as amigas, como se não sofresse com amarguras inconstantes. Era imprevisível. Bastava tomar sua dose de vodka, e os problemas desapareciam. Virava outra pessoa. Não mais uma garota, mas sim uma mulher. Fazia os homens suspirarem com seu olhar de menina, com aquela irresistível pitadinha de mulher fatal. Perdia horas e horas sentada no boteco, tomando suas doses, e observando a rua. Era esquisito o modo como olhava para as pessoas. Parecia tentar entendê-las, sem sequer ouvi-las falar — talvez seja isso que ela esperava das pessoas, que a entendessem, sem que ela precisasse chorar, pedindo consolo —. Ela tinha um jeito lindo de amar. Outro dia, no boteco, era possível ouvi-la dizer — já meio bêbada devido aos excessos — “alguém aí afim de um amor?”. Tão linda… E tão carente. Talvez ela nunca havia se permitido amar de verdade. Talvez fosse isso que a fizesse sentir-se tão só. Apenas pedia mais e mais bebida. Bebia até não ter mais um mísero centavo na carteira. Cambaleava, de um lado a outro, até chegar ao balcão. Sorria para o cara que presenciava seus desgastes todo fim de semana, e saia em direção à sua casa. Chegava em casa, com a maquiagem já se desfazendo. O vestido já amarrotado, e o cabelo bagunçado. Acordava só no outro dia. Não era mais a mulher fatal. Era só a mesma menina de sempre. Com as mesmas dores de sempre. E o mesmo sorriso idiota na cara.” — ironiz4r